Pesquisa HSMAI revela que o equilíbrio entre tecnologia e experiência humana é o novo foco das viagens corporativas.
Levantamento realizado com gestores de viagens e eventos corporativos durante o 8º HSMAI TMMs Summit 2025 aponta que adaptabilidade digital, análise de dados e humanização do atendimento são as principais competências que moldarão o futuro do setor.

Na edição de 2025 da Conferência Global da GBTA (Global Business Travel Association), a Inteligência Artificial foi, sem dúvida, o grande assunto. Segundo levantamento com os participantes do 8º TMMs Summit da HSMAI, 47% apontaram a IA como o tema mais relevante do segmento, evidenciando o avanço definitivo da tecnologia no universo das viagens corporativas.
O salto é expressivo, pois praticamente metade do público destacou a IA como prioridade, enquanto meios de pagamento ficaram em segundo lugar, com 14%, seguidos de inovação (12%), tecnologia (7%) e conciliação de dados (7%). Os demais temas como ESG (4%), distribuição (5%), política de viagens e budget zero (ambos com 2%) tiveram presença tímida nas respostas, e tópicos clássicos como NDC e programas de hotéis não foram mencionados.
Os dados refletem uma virada de chave no setor. Se antes as discussões giravam em torno de processos e compliance, a pauta agora é inteligência aplicada. A IA está sendo usada para prever comportamentos de compra, otimizar políticas de viagem dinâmicas e gerar recomendações automáticas baseadas em dados históricos e preferências individuais.
O crescimento de temas como meios de pagamento (14%) e conciliação de dados (7%) mostra um amadurecimento do setor em direção à digitalização financeira. Soluções de pagamento integradas, reconciliação automática de despesas e novas carteiras digitais corporativas estão redesenhando o fluxo financeiro das empresas.
A sustentabilidade (4%) perdeu espaço na edição de 2025, em parte ofuscada pelo entusiasmo com a IA. Ainda assim, especialistas ressaltam que a convergência entre tecnologia e ESG é apenas questão de tempo. O próximo passo do setor será unir inteligência artificial e relatórios preditivos de impacto ambiental, uma combinação que promete redefinir a responsabilidade corporativa nas viagens de negócios.
Em resumo, setor de viagens corporativas está migrando de uma lógica operacional para uma era de decisões inteligentes e integradas.
Empresas que souberem combinar IA, automação financeira e análise de dados estarão na vanguarda do novo modelo de gestão, mais ágil, sustentável e centrado na experiência do viajante.

Metade da audiência (50%) indicou que o verdadeiro diferencial da próxima década será transformar dados em decisões estratégicas, enquanto a outra metade (50%) destacou a importância de garantir equilíbrio entre tecnologia e experiência humana.
Os resultados refletem que o mercado passa a enxergar o comprador como um estrategista de dados, e não apenas como um negociador.
O novo Buyer 4.0 é chamado a interpretar indicadores, cruzar informações e tomar decisões com base em inteligência de negócio, mas sem perder a sensibilidade humana que sustenta a experiência e o relacionamento.
Essa percepção demonstra que a transformação digital no setor não é mais sobre ferramentas, e sim sobre mentalidade. O dado virou matéria-prima e o diferencial é o discernimento.
O equilíbrio citado por metade dos profissionais reforça uma ideia que tem ganhado força, pois a tecnologia precisa amplificar o humano, não substituí-lo.
Em um cenário de automação acelerada, a confiança, o olhar empático e a leitura subjetiva do contexto voltam a ser diferenciais competitivos.
O Buyer do futuro será aquele que souber combinar análise de dados, propósito e experiência, conectando performance e significado.
“Os gestores estão entendendo que tecnologia sozinha não resolve. O verdadeiro avanço está em integrar dados e sensibilidade humana, inteligência e intuição. O Buyer 4.0 precisa ser analítico, mas também capaz de criar experiências com propósito.’

As tarifas flutuantes e falta de previsibilidade foram apontadas como o principal ponto de tensão na relação atual entre empresas e hotéis.
O tema recebeu 62% das respostas, muito à frente dos demais tópicos.
Na sequência, apareceram dificuldade de alinhar políticas corporativas com práticas tarifárias do hotel (22%), atendimento impessoal e pouco consultivo (10%), e falta de inovação em serviços e experiência do viajante (10%).
Políticas comerciais engessadas e alta rotatividade de executivos de contas tiveram apenas 4% cada, confirmando que a dor central está na instabilidade de preços e previsibilidade de custos.
Os números evidenciam o descompasso entre a lógica comercial dos hotéis e a necessidade de planejamento das empresas.
Para o gestor de viagens, o desafio não é apenas pagar menos, mas prever quanto vai pagar. Tarifas dinâmicas, oscilações diárias e políticas pouco transparentes tornam difícil o controle orçamentário, especialmente em programas corporativos que dependem de previsibilidade para justificar ROI e compliance interno.
Empresas não estão pedindo o fim da flutuação, mas coerência e comunicação. O que antes era um impasse técnico agora se transformou em um ponto de atrito cultural entre duas formas de pensar o negócio:
- A hotelaria, orientada pela maximização de receita e yield management;
- O mercado corporativo, focado em previsibilidade, compliance e accountability.
A falta de inovação em serviços e experiência do viajante (10%) mostra que, embora a hospitalidade seja uma vantagem competitiva natural, ela ainda não é percebida como diferencial estratégico no ambiente corporativo.
A experiência do viajante segue relegada ao segundo plano, mesmo com evidências crescentes de que bem-estar e produtividade estão diretamente ligados à experiência de hospedagem.

Falta de clareza sobre papéis e responsabilidades entre empresa, viajante e fornecedores é o principal desafio contratual e ponto de tensão jurídica na gestão de viagens corporativas.
O tema recebeu 55% das respostas, superando todos os demais com ampla margem.
Na sequência, apareceram:
- Jornada de trabalho em deslocamentos (15%) e responsabilidade em casos de incidentes e sinistros (15%),
- Saúde e segurança do colaborador (12%),
- Conciliação entre política de viagens e legislação trabalhista (9%).
Os resultados revelam uma lacuna grave no desenho das políticas corporativas de viagens.
Muitas empresas ainda operam em um território cinzento sobre quem responde pelo viajante fora do ambiente físico de trabalho, especialmente em casos de imprevistos, acidentes, horas extras, deslocamentos noturnos ou emergências médicas.
Essa ausência de clareza não é apenas um problema jurídico, mas um risco de reputação e compliance.
Empresas que tratam viagens como mera transação financeira e não como extensão do ambiente de trabalho correm o risco de expor colaboradores sem o devido amparo contratual e psicológico.
O dado também reforça um alerta, pois o Duty of Care (dever de cuidado com o viajante corporativo) ainda é um conceito subdesenvolvido em boa parte das organizações brasileiras.
Enquanto globalmente esse tema evoluiu para protocolos claros de segurança, bem-estar e responsabilidade compartilhada, por aqui ainda predomina a confusão sobre quem deve agir, e como, em situações críticas.
Isso explica por que metade da audiência associou o desafio à falta de clareza e não à ausência de infraestrutura: o problema é conceitual, não técnico.
A gestão moderna de viagens precisa integrar compliance, saúde ocupacional, segurança e comunicação interna.
Em resumo, o desafio não é apenas saber para onde o colaborador vai, mas quem responde por ele no caminho.

61% da audiência escolheu o atendimento humano de alta qualidade como fator decisivo para fornecedores de viagens e eventos.
Em segundo lugar, ficaram inovação tecnológica com foco em eficiência (19%) e flexibilidade em contratos e políticas (18%).
Já o compromisso real com ESG e impacto positivo apareceu de forma residual, com apenas 2% das respostas, um sinal de que o discurso de sustentabilidade ainda não se traduziu em vantagem competitiva percebida no mercado corporativo.
Os dados revelam um movimento claro de revalorização da dimensão humana nas relações B2B.
Depois de anos de digitalização acelerada e automação de processos, o mercado parece reconhecer que tecnologia sem empatia não fideliza.
O que o comprador quer não é apenas um fornecedor eficiente, mas um parceiro que compreenda o contexto, antecipe necessidades e ofereça respostas consultivas.
O atendimento humanizado emerge, assim, não como um retorno ao passado, mas como a próxima fronteira da sofisticação em serviço: combinar inteligência artificial e inteligência emocional.
Os 19% que apostam na inovação tecnológica e os 18% que destacam flexibilidade contratual não estão em oposição ao humano, mas complementares.
Esses resultados indicam que o novo fornecedor ideal será tecnológico, mas maleável; eficiente, mas capaz de adaptar-se às particularidades de cada cliente.
O valor competitivo, portanto, não está apenas na ferramenta ou na automação, mas na capacidade de traduzir tecnologia em conveniência real para o comprador.
Com apenas 2% das menções, o compromisso com ESG aparece como o tema menos valorizado no momento.
O resultado não significa desinteresse, mas descrédito, pois há percepção de que o discurso ESG ainda não se converteu em prática tangível no cotidiano da cadeia de viagens corporativas.
Para reconquistar relevância, será preciso materializar impacto positivo, com métricas claras e ações que transcendem o marketing verde.
Em resumo, a tecnologia de ponta será sustentada por relações genuínas.

Gestão de dados é prioridade de aprendizado para os próximos dois anos.
Entre os participantes do 8º HSMAI TMMs Summit, 49% escolheram gestão de dados e métricas estratégicas como principal área de desenvolvimento profissional.
Na sequência, vieram técnicas de engajamento humano e experiência do viajante (30%), Inteligência Artificial aplicada a viagens corporativas (15%) e novas práticas de sustentabilidade e inovação (7%).
O resultado consolida uma tendência que vem se intensificando no mercado: o gestor de viagens corporativas está deixando de ser apenas executor de políticas para se tornar um analista de performance e tomada de decisão.
O novo profissional busca entender o impacto financeiro, comportamental e operacional das viagens com base em indicadores e métricas acionáveis.
A alta adesão à gestão de dados mostra que o aprendizado futuro será menos sobre “operar ferramentas” e mais sobre interpretar inteligência.
O conhecimento analítico passa a ser o ativo mais valorizado, tanto quanto o relacionamento.
Mesmo em um contexto cada vez mais digitalizado, 30% dos participantes destacaram o desejo de investir em técnicas de engajamento humano e experiência do viajante.
O número reforça o que já vinha aparecendo em outras perguntas do Summit: a tecnologia só é eficaz quando amplifica a empatia e o sentido da jornada.
Gestores de viagens entendem que a experiência do colaborador é hoje uma variável de performance, influencia produtividade, satisfação e até retenção de talentos.
O aprendizado futuro, portanto, será tecnológico e humano em igual medida.
Os 15% que escolheram Inteligência Artificial aplicada a viagens corporativas mostram que há interesse crescente na tecnologia, mas ainda em fase de entendimento prático, não conceitual.
A IA é vista mais como ferramenta de apoio do que como pilar de decisão.

43% do público afirmou que seu maior desafio é a adaptabilidade para novas ferramentas digitais.
Em seguida vieram negociação com fornecedores usando dados tecnológicos (26%), interpretação de relatórios e dashboards de viagens (24%) e, por último, liderança e gestão de times híbridos (12%).
Os resultados revelam uma percepção madura: os profissionais entendem que a tecnologia não é mais opcional, mas reconhecem que ainda enfrentam barreiras para acompanhá-la com fluidez.
A alta concentração em “adaptabilidade” mais do que em “conhecimento técnico” indica que o desafio não é só aprender a usar ferramentas, mas aprender a mudar constantemente.
Em um cenário onde sistemas, plataformas e métricas evoluem a cada trimestre, o valor do gestor está migrando da especialização estática para a plasticidade cognitiva, a capacidade de aprender, desaprender e reaprender com agilidade.
Os 26% que destacaram negociação com fornecedores baseada em dados e os 24% que citaram interpretação de relatórios e dashboards mostram que a próxima fronteira de competência é analítica.
O gestor de viagens precisa se tornar um tradutor entre dados e estratégia, transformando métricas em argumentos comerciais e decisões táticas.
A negociação deixa de ser intuitiva e passa a ser sustentada por indicadores de desempenho, ROI e benchmarks em tempo real.
Quem dominar esse idioma se tornará indispensável tanto para empresas quanto para fornecedores.
Apenas 12% apontaram liderança e gestão de times híbridos como prioridade de desenvolvimento, mas o número merece atenção.
Ele pode indicar fadiga de aprendizado, afinal muitos líderes ainda não assimilaram plenamente o modelo híbrido e, por isso, nem conseguem mensurar o tamanho do desafio.
No entanto, à medida que times de viagens e eventos continuam operando entre home office, escritórios e deslocamentos, a liderança distribuída se tornará uma competência crítica para manter cultura, alinhamento e performance.
A adaptabilidade emerge como a competência mais estratégica da década, e a base sobre a qual todas as outras, negociação, leitura de dados e liderança, precisarão se apoiar.

Entre os gestores e profissionais corporativos que participaram do evento, 82% afirmaram que a capacidade de equilibrar tecnologia e experiência humana será a competência mais importante do futuro próximo.
Outras respostas ficaram muito atrás, como o domínio de ferramentas digitais e análise de dados (13%), habilidade de comunicação e empatia (5%), e conhecimento em sustentabilidade e ESG, que não recebeu votos.
O resultado coroa uma tendência que permeou todas as discussões do evento foi que o gestor do futuro não é o tecnólogo nem o humanista puro, mas o profissional que entende o cruzamento entre os dois.
A tecnologia é o alicerce. Sem ela, não há eficiência nem escala. Mas o diferencial competitivo continuará nas mãos de quem consegue traduzir dados em decisões com propósito, e automatizar sem desumanizar.
O público do TMMs Summit deixa claro que o grande aprendizado da transformação digital foi que a máquina pode otimizar processos, mas é o humano que cria valor.
A resposta dominante (82%) mostra que o papel do gestor de viagens está evoluindo para o de intérprete entre sistemas e pessoas.
Ele será o responsável por fazer a ponte entre inteligência artificial, políticas corporativas e necessidades reais do viajante.
Em vez de competir com a tecnologia, o gestor precisa aprender a conversar com ela, e usar a automação para liberar tempo e energia para o que só o humano pode fazer: construir confiança, ler nuances e gerar experiências significativas.

Quando perguntados sobre o fator mais desafiador ao pensar na integração entre tecnologia e atendimento humano, 46% dos participantes apontaram a integração de sistemas de forma simples e eficiente como o maior obstáculo.
Em seguida vieram engajar os viajantes no uso de novas tecnologias (28%), garantir personalização mesmo com IA (20%), e evitar o excesso de automação e perda do contato humano (15%)
O resultado confirma uma das queixas mais recorrentes da indústria onde a fragmentação tecnológica.
Hoje, a maioria das empresas e fornecedores de viagens opera em ecossistemas desconectados, plataformas que não se integram, bancos de dados isolados e fluxos que exigem intervenção manual.
Mais do que uma questão técnica, isso se traduz em ineficiência operacional e experiência inconsistente.
A promessa do “Tech + Human” só se concretiza quando o uso da tecnologia se torna invisível e fluido, permitindo que o humano volte a ocupar o papel de escuta e relacionamento e não de correção de falhas de sistema
O segundo e terceiro fatores mais citados, engajamento dos viajantes (28%) e personalização mesmo com IA (20%), revelam a maturidade do público.
O problema não é mais convencer o mercado de que a tecnologia é necessária, mas fazer com que ela seja adotada e percebida como valor.
A resistência ao uso de ferramentas digitais por parte de viajantes e colaboradores muitas vezes vem da percepção de que os sistemas padronizam demais e ouvem de menos.
O desafio, portanto, é desenhar experiências inteligentes e sensíveis, onde o dado não apague a pessoa.
Mesmo que apenas 15% tenham citado “evitar o excesso de automação e perda de contato humano”, a menção revela um incômodo crescente, o risco de que a busca por eficiência ultrapasse o limite da experiência.
A automação cega pode gerar o efeito oposto ao desejado, onde clientes que se sentem desassistidos, equipes desmotivadas e decisões descontextualizadas.
O futuro do “Tech + Human” será, portanto, menos sobre substituir e mais sobre sincronizar, criar sistemas que aumentem a empatia, em vez de anestesiá-la.